quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Starr, J. (2008). The Coaching Manual – The definitive guide to the process, principles and skills of personal coaching. Edinburgh Gate: Pearson Education.

“(…) There are no right or wrong options – only outcomes.”


Starr
(2008:132)


Esta é uma obra muito bem organizada, prática, que estabelece uma forte interacção com o leitor, convidando-o ao exercício do coaching e à subsequente reflexão.
Ao longo do livro três ideias-chave emergem com frequência no que se refere à actuação do coach: a importância do equilíbrio no uso das diversas técnicas, ponderando os prós e os contras da sua utilização; a distinção entre influenciar e controlar; e saber lidar com os erros.
Cada capítulo inclui várias rubricas que promovem a interactividade com o leitor. Assim, o Coach’s toolkit inclui exercícios para melhorar as competências do coach, descritas em detalhe, seguido de Toolkit summary, no qual são sistematizados os aspectos fundamentais a reter. A rubrica Coach’s story apresenta situações vividas pela autora em sessões de coaching. Por outro lado, As Testing questions testam os conhecimentos adquiridos pelo leitor e a rubrica An exercise promove o aperfeiçoamento das competências do coach, seguindo-se-lhe um resumo (Summary). Além disso, a rubrica Coach’s corner, chama a atenção para alguns aspectos práticos que podem exigir mais do coach no âmbito de uma sessão. Também aqui existe um resumo sob a forma de Summary. Na obra encontram-se ainda sínteses de secção e de capítulo, bem como uma síntese final intitulada Key points of learning.
No capítulo 1, Introduction, a autora começa por apontar as características de um bom coach, sistematizando exemplos da utilização das linguagens directiva e não directiva, além de referir as vantagens e desvantagens de ambas. Julie Starr explica ainda as diferentes vertentes do coaching (business, executive e personal).
No capítulo 2, Collaborative coaching, a autora explica em que consiste este género de coaching, apelidando-o de eficaz e respeitador do cliente, sendo da sua exclusiva responsabilidade os resultados alcançados. Trata-se de um estilo não directivo que permite uma maior aprendizagem por parte do cliente. Collaborative coaching  é   mais aprofun-dado no capítulo 3 (Coaching principles or beliefs).
Em seguida, no capítulo 4, Fundamental skills of coaching, são enunciadas as competências fundamentais do coach: criar rapport, atingir um nível de escuta profunda, usar a intuição, colocar perguntas poderosas e dar feedback de apoio.
No capítulo 5, Barriers to coaching, são indicados os aspectos que podem bloquear o processo do coaching, impedindo a obtenção de resultados.
Prosseguindo, no capítulo 6, Coaching conversations: the coaching path, descrevem-se as cinco etapas subjacentes a uma sessão de coaching (acolhimento, objectivo, aprofundamento da reflexão, acordo quanto ao plano de acção e encerramento). Neste capítulo confluem todos os ensinamentos expostos nos capítulos anteriores (a teoria aplicada à prática), existindo inúmeras referências cruzadas que se estendem também a capítulos posteriores.
No capítulo 7, Coaching assignment: structure and process, são discutidos aspectos práticos do exercício do coaching, explicando-se no capítulo seguinte, Emotional maturity and coaching, a necessidade de o coach possuir maturidade emocional para melhor desenvolver o seu trabalho.
No capítulo 9, Becoming a coach, exploram-se as razões que do leitor para se tornar coach, sendo ainda apresentadas várias perspectivas profissionais no âmbito do coaching.
O capítulo 10, Key points of learning, Sistematiza os aspectos essenciais a reter. Esta é uma excelente forma de rever alguns conceitos analisados ao longo do livro.
De referir ainda os apêndices, que incluem informação útil sobre a definição de coaching, por oposição a outras áreas (terapia, psicoterapia, ensino, psicanálise),bem como uma ficha de resumo da primeira sessão e de recolha do feedback.
Por fim, encontramos um índice remissivo que permite ao leitor aceder mais rapidamente a um assunto específico do seu interesse.
De referir ainda que a generalidade dos aspectos explicitados na obra retrata fielmente as vicissitudes de um coach, sobretudo na fase inicial da carreira, que pude experienciar nas sessões de coaching que realizei até agora. Na verdade, a leitura minuciosa da obra permitiu-me aperceber à posteriori das razões subjacentes às dificuldades sentidas na condução das sessões de coaching e que, afinal, são de fácil resolução.