Resumo de Eduardo Almeida
É do conhecimento geral a magia exercida pela música na vida humana, a forma como determina o comportamento, humor e até sentimentos da espécie. O que ninguém sabia, até 1993, é que a música melhora o nosso desempenho em tarefas cognitivas que exigem competências espácio-temporais. A esta descoberta e suas técnicas de aplicação atribui-se o nome de "Efeito Mozart", já que a obra do compositor austríaco foi a primeira a revelar-se excepcionalmente eficaz para tratar o corpo, a mente a alma. Mas essa não é a principal razão. Como se escreve na página 51 do livro, “Porque não chamar aos poderes transformadores da música o Efeito Bach, o Efeito Beethoven, ou o Efeito Beatles? É meramente por Mozart ser mais estimado do que génios como Beethoven, Gershwin ou Louis Armstrong? Ou a sua música tem propriedades únicas, despertando reacçõs universais que só agora se prestam a ser medidas? A resposta, inequívoca, vem logo a seguir. "Tomatis colocou as mesmas questões. E constatou, repetidamente, que independentemente dos gostos do ouvinte ou exposição prévia ao compositor, a música de Mozart invariavelmente acalmava os ouvintes, melhorava a percepção espacial e permitia-lhes expressarem-se com mais clareza - comunicando simultaneamente com o coração e a mente. Verificou que Mozart obtinha indiscutivelmente os melhores resultados e reacções a longo prazo (...). Claramente, os ritmos, melodias e altas frequências da música de Mozart estimulam e carregam as regiões criativas e motivadoras do cérebro. Mas talvez a chave da sua grandeza seja o facto de o som ser tão puro e simples.”
Na página seguinte, o autor avança uma provável explicação para os magníficos resultados da obra do compositor neste âmbito: (...) «Ele tem um efeito, um impacto, que os outros não têm. Excepção entre excepções, ele tem um poder libertador e, diria mesmo regenerador. A sua eficácia excede de longe o que observamos nos seus antecessores (...) nos seus contemporâneos ou nos seus sucessores.» Aliás, "o poder único e invulgar da música de Mozart brota provavelmente da sua vida, especialmente das circunstâncias que roderam o seu nascimento. Mozart foi concebido num espaço raro. A sua existência pré-natal foi diariamente imbuída de música, especialmente dos sons do violino do pai, que quase de certeza ampliaram o seu desenvolvimento neurológico e despertaram os ritmos cósmicos in utero. O pai era um kapellmeister, ou director musical, em Salzburgo e amão, filha de um músico, desempenhou toda a vida um papel na sua educação musical, começando com canções e serenatas durante a gravidez. Devido a este ambiente musical superior, Mozart nasceu já saturado de música - moldado por ela. Não se julgue, porém, que só a Música Clássica em geral e a de Mozart em particular encerram propriedades terapêuticas. Sabe-se hoje que, independentemente do género, a música constitui uma preciosa ferramenta para tratar o corpo, fortalecer a mente e potenciar a criatividade. Da autoria de Don Campbell e lançado em Portugal pela Estrela Polar, O Efeito Mozart é um clássico da musicoterapia, mas também do autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Uma obra interessantíssima, de leitura obrigatória para quem pretende conhecer-se melhor e sentir na pele as qualidades terapêuticas da música.
Eduardo Almeida
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